Livro “Pancadaria” nos mostra por dentro do épico conflito Marvel vs DC

A editora Rocco divulgou os lançamentos de setembro de 2018 e dentre eles pelo selo Fábrica 231 o livro “Pancadaria”, que vai mostrar os bastidores do conflito Marvel e DC.

Antes mesmo de os super-heróis se digladiarem nas páginas das histórias em quadrinhos, as duas maiores editoras que as publicam – as americanas Marvel e DC – estão há décadas trocando socos para decidir quem é a melhor. Elas são detentoras das propriedades dos personagens mais icônicos da cultura pop. A DC Comics tem em suas mãos o Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha, só para citar três dos mais conhecidos personagens em todo o mundo. A Marvel não fica atrás e publica as aventuras do Capitão América, Homem-Aranha, Vingadores e X-Men, entre outros de um rico universo de mitos pop. Ao longo das décadas, Marvel e DC lutam para decidir quem aumenta mais sua base de fãs e admiradores e, claro, quem vende mais e domina essa indústria. Essa batalha, alternada entre altos e baixos – e algumas baixas – de ambos os lados, tem os melhores episódios das clássicas pancadarias que todo leitor de história em quadrinhos sonha ler, mas cujos bastidores desconhecia. Até agora.

Pancadaria

Pancadaria – Por dentro do épico conflito Marvel vs DC revela num texto fluido e delicioso como se iniciou essa rivalidade. O autor, Reed Tucker, jornalista americano especialista em entretenimento e cultura pop, ainda mostra como ambos os concorrentes se alimentam dela, inclusive estimulando a polarização de fãs, que brigam entre si – os marvetes e os dcnautas – para ver qual universo de heróis é o melhor: Super Homem ou Thor? Liga da Justiça ou Vingadores? Batman ou Capitão América?

Baseando-se em entrevistas com grandes figuras do setor, Tucker conta uma instigante história, iniciada nos anos 1930 quando a DC Comics (então National) era a poderosa do mercado de quadrinhos, com personagens como Super-Homem e Batman, dominando os corações e as mentes de crianças ansiosas pelas aventuras de seus heróis. Mas a editora, que sempre voou soberana, assim como seu herói kriptoniano, demorou a reagir quando Stan Lee, um pretenso romancista de meia-idade da quase falida Timely Comics, jogou sua última cartada: ele lançava, em 1961, ao lado de Jack Kirby, o número 1 de “Quarteto Fantástico”.

A nova proposta da Marvel, com uma linha de personagens que, antes de tudo, eram falíveis e humanos, ao contrário dos intocáveis heróis da DC, não só seduziu como ampliou a base de leitores, que passou a despertar o interesse de jovens adultos, com tramas mais complexas e instigantes. Era o início de uma batalha na qual ambas as editoras usariam o que fosse possível para estar no topo: roubos de ideias e talentos, uso de espiões e estímulo a guerra de preços. A disputa se mantém até hoje e foi ampliada com as duas editoras sendo absorvidas por grandes empresas do ramo de entretenimento – a DC pela Warner e a Marvel pela Disney – o que expandiu o universo dos quadrinhos de forma inacreditável, passando a movimentar não só o ramo de publicações mas um verdadeiro manancial de produtos licenciados, como brinquedos, jogos eletrônicos e adaptações para filmes e séries para TV e canais de streaming.

Quem venceu a batalha? Pancadaria mostra que a Marvel ainda continua na dianteira. Mas isso não importa. Afinal, ambas as editoras podem perder o que têm de mais único – suas ideias, seus mitos, suas criações – tragado pelo burocrático e nada inovador mundo das grandes corporações.

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