Críticas

CRÍTICA | Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

‘Aves de Rapina’ chegou para emancipar. Uma equipe composta por mulheres desde a produção, a direção, o elenco protagonista até a trilha sonora. Mulheres que também buscam por emancipação na vida real, no ambiente onde vivem e trabalham, sabemos o quão machista ainda é a indústria. 

Essa é uma era diferente para a DC nos cinemas. Uma era com excelentes acertos, que levam ao público temas impactantes e singulariza as tramas, fazendo delas únicas. A mesma excelência de criatividade dos quadrinhos, está sendo refletida e melhor trabalhada nas telonas. O que torna ‘Aves de Rapina’ tão especial é exatamente o modo como tudo foi construído meticulosamente por mulheres para desconstruir paradigmas que vêm desde Esquadrão Suicida e reflete nas diversas outras mídias. 

O filme é emancipador, acima de tudo. Não trabalha somente a emancipação da Harley, mas vai unindo um só propósito: emancipar as mulheres de Gotham, e lá no fundo, encorajar as mulheres que estão assistindo a produção naquele momento. As cenas de luta são imperdíveis, daquelas que te fazem sair do cinema querendo se juntar com as amigas e detonar os machistas da cidade. 

Gosto de como humanizaram a Harley. Desfizeram toda a hipersexualizção já imposta à ela, mostrando que ela é muito mais sem o Joker e maior ainda quando se une com as meninas. A representação de cores e glitter onde deveria ser sangue pela visão dela é genial. É claro, que, as Aves foram introduzidas de maneira mais lenta, até para dar espaço a esse processo, mas julgo necessário justamente porque envolve a transição da Harley, e o entendimento do público sobre quem elas são, uma a uma, suas motivações e singularidades. É interessante como os caminhos delas se cruzam, e como, apesar das diferenças, elas não pestanejam para se unir e não só salvar uma criança, mas também se salvarem da corja machista. E o melhor, suas essências continuam intactas mesmo após a união, não existe um padrão quando estão juntas, apenas motivações. 

As meninas foram excelentes em seus papéis – Margot Robbie, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Rosie Perez e Ella Jay Basco foram incríveis do início ao fim, juntas e separadas. As adaptações se mostraram de muito valor e importantes para cada uma delas. Ewan McGregor deu vida a um vilão que tinha a personalidade condizente com o que o enredo pedia, e foi divertido vê-lo combatido pelas garotas tanto na luta, quanto no psicológico. 

Margot Robbie mais uma vez, e agora mais do que nunca, mostrou que nasceu para viver a Harley. A narração, entonação da voz, expressões faciais, todo o laboratório nos momentos de loucura e lucidez – inclusive, sua inteligência como psiquiatra foi explorada. Acho que a Huntress, ainda ficou um pouco presa, e os poderes da Canário poderiam ter sido melhor explicados, contudo os ganchos são imprescindíveis para uma possível continuação. A adaptação da Renee Montoya foi sensacional, ela é uma detetive com habilidades características e uma essência boa. 

A trilha sonora bate perfeitamente com a proposta do filme, os visuais são diferentes e ainda assim não perdem a característica da DC Comics, o uso da metalinguagem sobre troca de figurinos é bem feito e o final é coeso demais com as meninas, chega a surpreender. 

 

Levem suas amigas para assistir ‘Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa’ a partir de hoje (06) nos cinemas.

 

NOTA: 95

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